Olhares de Lírio

'Quando eu estiver mais pronta, caminharei de mim para os outros. O meu caminho são os outros. Quando eu puder sentir o outro a partir de mim mesma, estarei salva e compreenderei: eis o meu porto de chegada.' Clarice Lispector

sexta-feira, setembro 15, 2006

Das loucuras paternas

Três e meia da manhã. A babá eletrônica se manifesta com um choro fraquinho, mas insistente. Ela cutuca o marido, que tem o dom de levantar, fazer leite, trocar fralda, ninar o Pequeno e ainda voltar para a cama dormindo e não se lembrar do que aconteceu na madrugada. Nada. Afundado até o pescoço no reino dos sonhos e dos roncos. Ela sacode o moço de novo - Vai lá, amor, o trequinho tá chorando, deve ser pesadelo.

Os cobertores se mexem. Ela, em meio ao sono e a incredulidade, se depara com o digníssimo marido, deitado, mão para cima, estendida, aberta, balbuciando a invocação - Acalma o bebê, acalma o bebê. Levantar que é bom, nada. Em meio ao susto e a insanidade, ela sai da cama, correndo, entra no quarto, acha a chupeta, canta a música que fez para o filho, vê o sono chegar, o pesadelo sair correndo, a respiração acalmar. Coloca-o no berço, volta para o quarto, indignada.

Sacode o marido de novo: Amor, que que você tava fazendo? A voz carregada de lentidão e dormir vem com a afirmação assertiva: Tava invocando o deus da guerra e da justiça, Tomanak, para ele fazer o pequeno dormir.

É isso aí. Marido que lê David Weber e Oath of Swords, com os hradanis antes de dormir dá nisso.

3 Comments:

Anonymous Leandro said...

hehehe muito legal esse post Lilian. Eu tava no trabalho hj e dei uma lida no post. Fiquei uns 2 minutos numa crise de risos tentando visualizar a cena. :)
Aliás parabéns pelo seu blog, está muito bem estruturado e vc escreve igualmente bem.

Abr p/ vc e pro Core(ou um rungido, se ele preferir).
Leandro Santoro.

18 setembro, 2006 19:40  
Anonymous cavaleiro said...

Bom que vc voltou a escrever =)

22 setembro, 2006 10:10  
Anonymous Adriana said...

Tá no lucro Li...Tá no lucro. O meu que também costumava levantar para pegar os pequenos e trazer para mim, vez por outra apenas esticava um braço. Se eu perguntava porque ele não levantava, ele dizia que estava tentando usar a Força. E eu sempre imaginava os bebês Jedis flutuando de um quarto ao outro trazidos exclusivamente pela Força. Nunca vinham, a bem da verdade. Que pena!

Fora a frase clássica em dia de parto: Tá doendo, amor? Engraçado, não tô sentindo nada!

Como eu disse, vc tá no lucro!

27 setembro, 2006 10:17  

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