Olhares de Lírio

'Quando eu estiver mais pronta, caminharei de mim para os outros. O meu caminho são os outros. Quando eu puder sentir o outro a partir de mim mesma, estarei salva e compreenderei: eis o meu porto de chegada.' Clarice Lispector

quarta-feira, abril 29, 2009

Das asas dos anjos

Estou devendo a história do meu zippo, de 20 anos, que me arrastou a mais uma epifania sobre o desprendimento.

Mas, fugindo um pouco da proposta das letras que aqui moram, deixei-me arrebatar pelo lirismo ontem, e a sensação de retorno e pertencimento me mantém a sanidade:


Só porque eu me lembrei agora, nessas horas de silêncio, em que tudo parece mais tênue: eu não vou jamais conseguir entender o medo e a covardia das pessoas.
Porque o tempo é amigo, mas é inclemente. E a roda da vida não sabe parar para questionar limites. É tudo uma questão de momento. efêmero, único, volátil, que torna a vida mais simples, porque tudo se resume àqueles ínfimos instantes onde tudo faz sentido, explode em cores e se desfaz, como sonho, retomando o rumo.
E essa promessa de limites e medo sempre me destrói. Porque eu vou sempre acreditar naquele único instante que ficou perdido entre as palavras vazias.
E jamais me diga: é só isso que eu posso oferecer. Porque o mundo muda, porque podemos alcançar o impossível. E a covardia é a arma que me deixa sem ação.
E é sempre tão simples. Um único instante eternizado na memória. E a vida volta ao seu espaço real, sem antecipação, sem what if things were different. E era tão sutil o que eu queria.
Agora fica essa sombra que se transforma em um fantasma maior do que eu tenho forças. Passo a bola pro teu lado do campo.
E o relógio está correndo.

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